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Fernando Vilches, “O Mexicano”: a trajetória de um imigrante no Brasil

  • ANA D., JEAN JR., LUCIO L., PIETRA S., MARIA F.
  • 27 de fev.
  • 4 min de leitura

Foto: Ana Diamantino
Foto: Ana Diamantino

Popularmente conhecido como “o mexicano", Fernando Vilches Reyes nasceu no México, na cidade de Valle de Bravo, no dia 16 de outubro de 1983. Dono de uma personalidade pacífica e bem-humorada, vislumbra nos desafios da vida uma oportunidade de espalhar alegria e amor por onde passava.

No México, viveu com os seus pais (Fernando e Maria) e irmãos (Marina, Mauro, Maria Fernanda e Marco Antônio) num sítio em uma vida de muito trabalho e aprendizado. Ainda adolescente, um dos seus primeiros trabalhos foi limpando curral de cabras, ao lado do pai. Embora vivesse bem "sem faltar nada em casa", Fernando aprendeu bem cedo o verdadeiro valor da labuta, do trabalho.


Segundo filho de uma família muito unida, destaca que a relação com o pai fosse algo que poderia ser melhor aproveitado. Um homem extremamente responsável, mas que devido aos compromissos da sua vida, passava pouco tempo em casa, saindo para trabalhar mais cedo que os demais e chegando quando já estavam dormindo. 

 

Sua mãe Maria, sempre foi mais rígida que seu pai, mas sempre o apoiou em suas decisões. Os pais o ensinaram a respeitar as pessoas e suas escolhas; além de respeitar os animais, tanto que é apaixonado por eles.


Foto: Ana Diamantino
Foto: Ana Diamantino

Em meio às atividades árduas que teve, conseguiu estudar até o primeiro preparatório, leia-se primeiro ano do ensino médio aqui no Brasil. Sempre muito esforçado, "passava de barriga" como relembra com humor; e atento às oportunidades, viu no trabalho ofertado pelo pai uma chance de conseguir dinheiro. "Gosto de dinheiro na mão, pra fazer o que tem de ser feito", destaca quando questionado sobre começar a trabalhar tão jovem, aos 10 anos. 


Ao longo do tempo que passou em sua terra natal, sempre muito disposto a trabalhar no que tinha disponível, aprendeu o básico de várias profissões, já tendo atuado como marceneiro, eletricista, pedreiro, ajudante de obra, pintor, cozinheiro e vendedor. Toda essa experiência contribuiu bastante ao decorrer dos anos, pois esse conhecimento e esforço lhe deu a oportunidade que mudou sua vida.


Com o convite de um amigo, com quem já havia trabalhado e era representante comercial de uma empresa americana, Fernando, com um certo aperto no coração, deixou o México para ancorar em terras brasileiras. Inicialmente chegou em João Pessoa, mas também morou em cidades do Sul e Norte do país: “Gostei de todas as cidades que morei, mas Campina Grande tem um clima interiorano que me lembra o México, o campinense é muito hospitaleiro”, revela. 


“Deixe um legado e não aceite imitações!”

Um de seus primeiros choques em terras tupiniquins foi o fato de amanhecer tão cedo na capital paraibana, considerada o ponto mais oriental das Américas, acordar tão cedo e já presenciar um sol tão forte o deixou sobressalto. No café da manhã, algo mais vigoroso lhe fazia falta, a comida “substanciosa”, como ele se referiu, já que era acostumado a comer arroz e feijão por exemplo, enquanto aqui se deparou com algo mais leve como ovos, pão e café.

Chegou em uma nova cultura com uma missão: aprender algo único do Brasil. Foi onde o Jiu-Jitsu entrou na sua vida, se tornando um dos seus hobbies favoritos, se dedica a anos e atualmente é faixa marrom, um símbolo da sua resistência, dedicação e compromisso com suas promessas. Como uma das suas principais formas de se socializar, foi lá que conheceu e fez muitos dos seus amigos.

Por muito tempo, Fernando trabalhou promovendo a venda de panelas, para testar a eficiência delas às vezes ele próprio cozinhava para os clientes e foi dessa forma, através de indicação de uma amiga do Jiu-Jitsu que ele conheceu a atual esposa, Thisciane. Ao apresentar seus produtos com uma demonstração calorosa, realizou a venda e continuou tendo contato com ela, o que evoluiu para um relacionamento.



O hábito de cozinhar era restrito para amigos e familiares, algo que fazia por hobby e forma de manter seu vínculo com a culinária do seu país de origem. Em determinado momento surgiu a pergunta da esposa, sobre ele querer empreender na área, foi o pontapé inicial para abrir seu próprio negócio.

Com sua experiência anterior trabalhando por anos com comida em seu país, ele busca adaptar sua raiz mexicana com o gosto dos brasileiros. O uso de pimenta forte, por exemplo, não entra em seus pratos, ficando à gosto do cliente colocá-la ou não. Servir é algo que lhe agrada e o faz com muito carinho, sempre ponderando que todos merecem conhecer o que é a verdadeira cultura da sua pátria.

Um carrinho adaptado com chapa própria é seu instrumento de trabalho, seguido de um espaço em sua própria casa para complementar o negócio do Amigo Mexicano. O preparo é feito com muito rigor, em uma escolha minuciosa de ingredientes frescos e tudo feito com uma agilidade impecável. Seguindo sempre seu dilema “Deixe um legado e não aceite imitações!”



 
Expediente

Fotografia e Redação: Ana Diamantino, Jean Jr, Lucio Lima, Pietra Santos e Maria Fernanda

Supervisão Editorial: Rostand Melo e Ada Guedes


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