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A vida de um neurodivergente com TDAH e dislexia

  • tainarasilva17
  • há 1 dia
  • 4 min de leitura

Vinícius com o cubo infinito, fidget toy que o ajuda a manter a atenção. Foto: Tainara Ferreira
Vinícius com o cubo infinito, fidget toy que o ajuda a manter a atenção. Foto: Tainara Ferreira

Vinícius Nascimento de Freitas, 24 anos, nasceu e foi criado na cidade de Campina Grande, no estado da Paraíba. É estudante do curso de psicologia na Universidade Estadual da Paraíba (UEPB). O fato de ter Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, o chamado TDAH, além de traços leves de dislexia não o impede de alcançar seus objetivos, apesar da neurodivergência afetar algumas áreas de sua vida.


Na infância, entre os 6 e 11 anos, Vinícius já possuía alguns comportamentos diferentes das outras crianças na mesma fase que a sua, como por exemplo, sair algumas vezes da sala de aula para “tomar um ar do lado de fora”. Isso se repetia, chamava a atenção das pessoas, entretanto não era um assunto debatido. Sofria muito, pois seus colegas não entendiam o que acontecia.


A descoberta do diagnóstico veio na adolescência, aos 13 anos, quando uma de suas professoras, a que o ajudava na aula de reforço, começou a perceber que ele possuía algumas atitudes e comportamentos de um adolescente com TDAH. Foi a partir dessa desconfiança que a professora decidiu conversar com sua mãe sobre o TDAH.


Foto: Tainara Ferreira
Foto: Tainara Ferreira

A mãe de Vinícius logo procurou informações sobre o assunto e atendimento. Passaram pelos profissionais e depois de vários testes foi de fato comprovado que ele possuía o TDAH. A neurologista solicitou exames como eletrocardiograma, eletroencefalograma para verificar se Vinícius poderia tomar a medicação. Esses cuidados são necessários tanto pela pouca idade de Vinícius na época, como pelos efeitos colaterais da medicação, que incluem alteração no humor, aumento na ansiedade, dentre outras reações.


Vinícius fez tratamento medicamentoso dos 13 aos 18 anos. No período da adolescência, estudava em uma escola considerada uma ótima instituição, porém não sabia lidar com a questão do TDAH e a neurodivergência como um todo. Vinícius então trocou de escola. A mudança foi necessária, a nova escola tinha uma visão diferente quanto a neurodivergência. Lá ele conseguiu se desenvolver muito melhor. Além disso, Vinicius também fazia algumas atividades fora da escola que eram complementares e que ajudavam nos seus estudos.


O transtorno atinge diretamente as relações interpessoais da pessoa diagnosticada e com ele não foi diferente. Uma das características mais comuns entre as pessoas que possuem TDAH é a desatenção, às vezes o simples fato de esquecer algo ou desviar o assunto no meio da conversa, não prestar atenção no que está sendo falado era motivo de discussão e uma certa desconfiança por parte das pessoas que pensavam: Será que o Vinícius está fazendo isso de propósito?


Foto: Tainara Ferreira
Foto: Tainara Ferreira

A neurodivergência chegou a atrapalhar amizades e até namoro de Vinicius. Nestes casos, é comum que a desatenção característica do transtorno seja confundida com negligência ou falta de sentimentos. Em consequência disso, a psicoterapia é um processo que deve fazer parte do

tratamento de quem possui TDAH juntamente com a medicação.


Atualmente Vinícius não faz mais o uso do medicamento de forma contínua, utilizando somente em momentos específicos como para estudar, fazer uma prova. E tudo isso é pensado estrategicamente para que o pico do efeito do remédio no seu corpo faça efeito de forma que ele conseguirá tirar o melhor proveito. A psicoterapia é realizada uma vez por semana e o ajuda a entender os sintomas, a lidar melhor com o transtorno, aprender a se organizar, mais produtivo e entender que o TDAH não é barreira para fazer o que se quer.


Com o passar do tempo e com amadurecimento, Vinícius hoje consegue entender a sua personalidade. Consegue tangenciar alguns sintomas do transtorno e aprendeu a lidar melhor com isso ao longo do tempo. A rotina rígida ajuda no tratamento. Todos os dias acorda por volta das 5h e 5h30 da manhã para fazer algumas coisas antes de sair para faculdade. É estudioso, estuda estoicismo, faz atividades em aplicativos, medita 10 minutos quando está com tempo. Depois toma banho, faz skincare, toma café da manhã caprichado.


Foto: Tainara Ferreira
Foto: Tainara Ferreira

É "viciado" em estímulos que ajudem a liberar dopamina que o hormônio neurotransmissor que atua no cérebro trazendo uma leve sensação de prazer. A música, por exemplo, o acompanha em quase todas as atividades. Sai para curtir, gosta de ir à academia, curte praticar esportes, gosta muito de basquete. mas no momento não tem praticado tanto.


Essa também é uma das características do TDAH, o chamado hiperfoco, que é quando a pessoa gosta muito de algo e fica ali concentrada estudando e se dedicando enquanto deixa de fazer outras atividades. Muito diferente, acontece com as atividades que não curtem e acabam perdendo o foco e ficando ainda mais desatentos.


Escuta rap, músicas alternativas, escuta ruído marrom, um som bastante conhecido nos dias de hoje, porque ajuda os neurodivergentes com TDAH a se concentrarem em suas tarefas. Vinicius ainda utiliza um cube infinity (cubo infinito) que é um fidget toy que o ajuda na atenção dentro da sala de aula e serve para não ficar disperso.



Foto: Tainara Ferreira
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Confira mais imagens no ensaio fotográfico:

Foto: Tainara Ferreira
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EXPEDIENTE:

Fotografia e reportagem: Taynara Ferreira

Supervisão editorial: Rostand Melo




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